entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo de lugares

21/agosto A ilha do Presídio

A lista com 20 percursos vai ganhando contornos. Júlia parece um tratorzinho acionando seus contatos. A proposta de fazer um percurso até a ilha do Presídio, guiados por um antigo preso político está se cconfigurando bem possível e ja estamos ficando entusiasmados; penso em registrar em vídeo. O roteiro promete histórias com as dos dois cães de guarda (uma se chamava Laika) que foram cativados pelos presos e passaram a perseguir os guardas. Ou do cara, que tentou fugir enfrentando o rio dentro de um caldeirão. Claro que não deu certo.

20/agosto – O Bará do Mercado

Uma das coisas dos Percursos que funciona bem é apresentar os contornos do invisível. Ontem me falaram de uma  dessas coisas não visíveis que marcam a cidade: o Bará do Mercado. No centro do Mercado Público de Porto Alegre, no meio da encruzilhada que lhe deu origem, está “sentado” o orixá Bará – entidade responsável pela abertura dos caminhos e pela fartura.Mais do que uma nota pitoresca isto é mais um sinal da presença fundamental da religisoidade afro-brasileira no Rio Grande do Sul, um estado que conta com 65.000 terreiros. Logo que possa pretendo visitar os quilombos.Mas por enquanto, preciso organizar as idéias, antes de ir conhecer as pessoas e lugares. No google descubro que foi produzido o curta “A Tradição do Bará do Mercado Público: Os caminhos invisíveis no negro em Porto Alegre”. Vou procurar por isso, quem sabe incluir no roteiro Cidade-templo. Depois explico melhor.

O Mercado Público de Porto Alegre é um quadrado com um Bará enterrado no centro

O Mercado Público de Porto Alegre, desenhado sob a forma de um quadrado, tem com um Bará enterrado no centro
O Centro do mercado nunca é ocupado por nada, nenhuma banca de frutas, nem a plataforma de vigilância da polícia ocupa aquele lugar;
O Centro do mercado nunca é ocupado por nada; nenhuma banca de frutas, nem a plataforma de vigilância da polícia ocupa aquele espaço físico e imaginário.

31/agosto – Conversas sobre o Arroio Dilúvio

Rafael Davos

Rafael Davos

Logo depois do almoço nos encontramos no Mercado com Rafael Devos e reencontramos por acaso com Vladimir Ungaretti. Mais conversas sobre fotografia. Relembrando o que falei no post sobre ele: o seu site é especial, extraordinário mesmo. A conversa com o Rafael Devos que trabalha com antropologia visual foi muito produtiva e já estamos pensando em um percurso sobre o Arroio do Dilúvio, um braço d’agua de doze quilômetros. Ele está engajado em uma pesquisa que busca resgatar as memórias e vínculos afetivos das pessoas dos diversos bairros por onde aquele o curso d’água passa. Conversamos bastante sobre as ilhas, aprendi que os pescadores são apenas uma das comunidades. Que existem muitas outras que querem se fazer ouvir e que não poucas estão cansadas de aproximações institucionais. Ou seja, cautela e mais cautela na criação de um roteiro sobre a ilhas.

O Arroio no Atlas Ambiental de Porto Alegre

O Arroio no Atlas Ambiental de Porto Alegre

Um e-mail do Rafael Devos no fim da tarde
Gaby, Julio, seguem os contatos prometidos:

Luiz Fernando Caldas Fagundes
Cientista Social – Núcleo de Políticas Públicas para os Povos Indígenas
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana
Prefeitura Municipal de Porto Alegre
(51) 32897036 – (51) 98183052
fagundes@sdhsu.prefpoa.com.br

Bábà Diba de Iyemonjà
Babalaorisà, Filho de Iyemonja e Odé, Foi iniciado na religião de Matriz Africana em 30 de dezembro de 1980, pelas mãos poderosas da Iya Obaoluaje, mãe Otilha de Sango e seus assentamentos concluídos em 16 de julho de 1983.Baba Diba de Iyemonja é de Tradição Jeje e é o terceiro zelador da Comunidade Terreira Ile Axé Iyemonja Omi Olodo. Participa da ONG AFRICANAMENTE, e de diversos movimentos sociais e organizações ligadas à cultura afro-brasileira

Vocês encontram o contato dele em
http://babadybadeyemonja.blogspot.com;
ou na ONG http://www.africanamente.blogspot.com/

o documentário que falei, para fazer uma exibição, vocês podem ver um trailer em:
http://www.ocusimagens.com.br/html/portfolio/documentarios/documentarios-bara.php
participaram do video Baba Diba de Iyemonjá e Mestre Borel, além de outros religiosos de matriz africana

Sobre as Ilhas, verei se consigo algum contato mais direto, mas em todo caso, vocês podem contatar o pessoal da COOPEIXE, eles tem uma banca no Mercado Público de Porto Alegre (em frente à Av. Siqueira Campos), e também podem fazedr contato com a Colônia Z5 de pescadores, na Ilha da Pintada – eles continuam organizando visitas à Ilha da Pintada, almoço com peixe na taquara, passeio de barco, etc, seria a forma mais fácil de encaminhar o percurso.
Além da COOPEIXE, tem um ponto de cultura que funciona na Escola Mabilde, e na Ilha dos Marinheiros quem organiza essas atividades é o Clube de Mães, além da Associação dos Catadores de Materiais de Porto Alegre Ilha Grande dos Marinheiros – Porto Alegre . Como disse na nossa reunião, precisaria primeiro retomar estes contatos antes de propor alguma atividade, de acordo com o interesse das lideranças, não sei se teremos tempo.

Sobre o projeto Habitantes do Arroio, falei com a Ana Luiza, coordenadora do projeto. Ela gostou da idéia de fazermos um percurso pelo arroio, vamos elaborar uma proposta por escrito para vocês, se for possível realizar em novembro esta atividade. Seria um percurso por alguns pontos do Arroio Dilúvio, já assinalados no Blog da pesquisa. Temos material audiovisual, fotos antigas, depoimentos de moradores, técnicos, engenheiros, etc.

mantemos contato.

um abraço

Rafael Devos