entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo para espaços alterativos

8/setembro – Pontes entre Rosário e Fortaleza

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Hoje Mauro e Graziela de El Levante, organização que me selecionou e abriga em Rosário me levaram para conhecer outros lados da cidade, ao mesmo tempo em que eu ia apresentando este meu caso de muito amor e um pouco de ódio, que é Fortaleza. Antes de um grande giro, uma entrevista marcada com a Subsecretária de Cultura e Educação Florencia Balestra. Fiquei muito contente por estes diálogos. Pude apresentar coisas que vivemos e realizamos e pude escutar sobre muitas ações que foram concebidas ou estão a cargo desta mulher. A conversa começou formal e aos poucos fomos nos reconhecendo, como quem coloca aos poucos as cartas dos baralhos na mesa, à medida que vão surgindo os naipes e jogos semelhantes.

Flor Balestra

Flor Balestra, provocando a ousadia da simplicidade no serviço público

Umas das coisas que Florencia apresentou muito entusiasmada foi o Programa Rosario La Quiero, um conjunto de inciativas de humanização promovido pela Secretaria de Educação e Cultura (Ah! Educação aqui é provincial, o município fica com escola de audiovisual, dança, música e mais alguma que não recordo), no mesmo espírito – penso – do projeto Gestos Pela cidade que realizamos juntos com a Prefeitura de Fortaleza.

Nome do projeto é usado como campanha também

Nome do projeto é usado como campanha também

Quase um pequeno manifesto
No prospecto do programa, diz que se propõe “a desenvolver atividades culturais e educativas vinculadas a vida cotidiana e que tem como denominador comum o espaço público. Convida a reinventar o dia com pequenas ações a curto e longo prazo; a Intensificar vínculos e o sentido de pertença para com a cidade, partindo da idéia de que É O AFETO O QUE IMPULSIONA À AÇÃO, ao compromisso, ao conhecimento e à aprendizagem. A cidade é parte da minha casa. Uma cidade amável, amável comigo. Cuido, desfruto, compartilho dela. Projeto-a. A quero e sinto que ela me quer. Preencho-a de sonhos e os faço realidade”.

Algumas das ações
1. Un mimo para Rosario (campanhas educativas e ações de comunicação artísticas e surpreendentes com mímicos) – Mimo além de carinho aqui significa também mímico. Seis mímicos saem em conjunto para realizar ações educativas em ruas, praças e espaços públicos. Fazem graças e distribuem cartões de qualidade (gramatura alta), tamanho postal, com dizeres como ROSARIO está llena (cheia) de PROYECTOS, llena de PARQUES, llena de RÍO. NO LA LLENES DE BASURA (LIXO).
2. Arte a la vista: Museu urbano – Faces mortas de edifícios (como é o termo urbanístico para isso, esqueci) são ocupadas com reproduções de obras de um museu da cidade.
3. Fuentecitas: Encontros musicais em volta das fontes
4. Recorro el Cementerio: Ilumino meu passado – Uma poesia inspira este projeto que leva as pessoas a um percurso noturno pelo cemitério mais antigo da cidade: Con un ejército de ângeles custodios y rompiendo las cadenas del tiempo nos delizamos en los terrebos del arte y la memoria… en las noches de El Salvador, RECORRO EL CEMENTERIO, ILUMINO MI PASADO

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Em uma grande mesa de reunião, organizado em pequenos montes, papéis, livros, idéias. Nas paredes a mesma miscelânea organizada. Florência também apresentou um roteiro de uma animação que será feita sobre uma Rosário misteriosa e imaginária, onde se apresentarão mitos, lendas, imaginários… Empolgante ter alguém no poder que valorize tais coisas, não? Ao mesmo tempo falava que quase não tinha tempo para se dedicar a construção destas situações poéticas pois achava importante dar conta de uma agenda extensa, de estar presente em eventos, além do trabalho de articulação para que as coisas pudessem andar. Mas que sua maior alegria estava ali, nas pequenas coisas que se pode fazer por uma cidade. Também contente com o encontro, ficou de ir à apresentação da proposta que farei aos artistas da cidade depois de amanhã.

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31/agosto – Coletivo Catarse

Material produzido pela Catarse

Material produzido pela Catarse


Hoje à noite fui conversar com Gustavo (ou Guga) Türck sobre o coletivo Catarse. Eles produzem muito em comunicação tanto escrita quanto audivisual. Sempre com um corte decidido, de provocar visões críticas e alterativas. Segundo o blog deles trata-se de “um coletivo de comunicadores comprometidos com a construção de alternativas que fortaleçam a cultura e o jornalismo independentes e enriqueçam o debate público em seus temas mais importantes. Através de um trabalho autoral e engajado, se aproxima de movimentos e organizações que entendem a cultura como um direito humano e a comunicação como uma ação transformadora.”

Reconheci os muitos intercâmbios que poderíamos realizar com este grupo seja na área de formação, produção ou exibição. O Gustavo está interessado em conhecer experiências como a da Casa Grande, em Nova Olinda e as dos Pontos de Corte e do jornalismo estudantil, em Fortaleza. Vejo que dialogaria com fluidez com várias pessoas de Fortaleza que atuam através do vídeo. AQUI, um vídeo sobre sua visão política. Por fim, Convidei Gustavo para realizar um percurso sobre vídeo-ativismo. Topou.

Imagem comemorativa dos quatro anos do coletivo.

Imagem comemorativa dos quatro anos do coletivo.

31/agosto – Associação Satélite Prontidão

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Quase meia-noite. O post será rápido, inversamente proporcional a importância da Associação Satéçite Prontidão que desde 1902 atua criando espaços para a cultura negra. Hoje pela manhã estive lá com a Gabe conversando com o presidente, seu Nilo Feijó e os assuntos foram da história à religiosidade passando pelo samba. Aprendi, por exemplo, que o mestre sala, uma espécie de guarda do estandarte é um guerreiro e sua dança influenciada pela capoeira.

Os clubes negros
Seu Nilo explicou que pelo fato da divisão étnica ser tão demarcada os negros tiveram que construir em Porto alegre todos os seus espaços, daí existirem em outros tempos 50 associações e clubes negros. A Associação Satélite Prontidão além de lugar de festa e música, se comprometia com a alfabetização e com o pecúlio; ainda hoje esta preocupação com a educação existe com a oferta de um curso pre-vestibular e um curso de informática. E o samba como carro-chefe. Agora, aos sábados samba-rock. A conversa foi longa, prazeirosa e posto AQUI um trecho deste privilégio que tivemos. Voltaremos a entrar em contato. Acho que ele será o mediador do nosso percurso sobre musicalidade afro-brasileira.

26/agosto – Sociedade Floresta Aurora

Hoje- pensando nos pontos para um percurso sobre musicalidade afro-brasileira também fomos conhecer a Sociedade Floresta Aurora. Ainda não era o que precisávamos mas fica o registro, do qual destaco esta foto de hoje. Uma pequena explicação sobre esta organização pode ser encontrada aqui.

Compartilho também um texto bem bacana que também achei na rede. Chama-se Clubes sociais negros em Porto Alegre – RS : a análise do processo de recrutamento para a direção das associações Satélite, Prontidão e Floresta Aurora, trajetórias e a questão da identidade racial. O downlaod pode ser feito aqui.

25/agosto – Desvenda Feira de Arte Contemporânea

Fomos almoçar com Rodrigo Lourenço para conversar sobre tipografia, pois pretendemos realizar um percurso sobre fontes, letras, esses grafismos que criam uma pele sobre a cidade e os corpos. Acabamos por descobrir que ele já seria incluído em outro percurso que estamos bolando junto com a Claudia Paim, sobre ações de artistas. Foi partir da sua iniciativa de abrir o seu ateliê da Travessa dos Venezianso aos domingos para vender trabalhos de arte contemporânea no formato de bazar (ou gabinete de curiosidades, como ele concebe) que outros artistas da vizinhança fizeram o mesmo configurando a Desvenda. Ele está aberto para intercâmbios com outros artistas que queiram mostrar trabalhos em Poá e exibir em seus estados trabalhos dos artistas daqui.  O blog com bastante fotos e informações pode ser encontrado no endereço http://desvenda.wordpress.com/

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Rodrigo Lourenço cria uma proposta que altera o circuito das artes

25/agosto – Cooperativa Solidária Utopia e Luta

Portaria da Comunidade Autônoma Utopia e Luta

Portaria da Comunidade Autônoma Utopia e Luta

Dentro de uma proposta de realizar um percurso sobre ocupações que constroem desejos coletivos fui hoje visitar a ocupação Utopia e Luta, uma cooperativa residencial.  Simplificando bastante, trata-se de um edifício do INSS que foi ocupado após uma análise de um grupo organizado e com uma liderança experiente em lutas sociais da  América Latina. Depois de muitos conflitos, com a polícia principalmente, e da mudança do marco legal sobre doações de patrimônios da União aquele se tornou o prédio foi doado, obteve-se financiamentos da Caixa Econômica para reforma de uma planta de uso institucional para uso multiresidencial. Isto são só algumas pinceladas do processo anterior.

Hoje o prédio já está reformado, as pessoas vivem um clima de afetividade, de auto-gestão, de trabalho em comum muito forte. O edifício é bem grande, mais de sete andares, com várias quitinetes e dois apartamentos maiores por andar, em baixo existem uma lavanderia e uma padaria com boas máquinas, uma serigrafia e teatro rebelde, a portaria e uma cozinha onde os moradores se revezam prestando serviços comunitários, de forma a diminuir o valor do condomínio. Cada andar tem, em uma parede próxima a escada, uma pintura como um tema diferenciador. Vale destacar que um dos apartamentos maiores foi destinado às brincadeiras das crianças. Renan Leandro apresenta em vídeo um dos espaços. Link aqui.

Estou com gravações de depoimentos, bastante politizados. Se alguém quiser entender com mais propriedade esta ocupação eu posso ennviar o material gravado. Este texto, os textos publicados sobre eles ou por eles não dão conta da intensidade e sinceridade desta experiência. Definitivamente, não é mais uma experiência.

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22/agosto – Lampião é punk

Outro contato interessante foi com Lampião, um jovem punk, anarquista é óbvio, que vive em uma comunidade. Conversamos depois que ele ajudou na desmontagem da feira de orgânicos, trabalho bem braçal; cumprimenta e é cumprimentado por feirantes, vendedores ambulantes. Sentamos em um banco do parque Farropilha e ali, beliscando as raspas de bolo que ele ofereceu e as bananas nanicas que Júlia compartilhou comversamos. Logo de início ele riu da idéia de 40 pessoas visitarem sua casa, riu pelo ridículo que lhe pareceu. E deixamos de lado a visita e fomos nos apresentando, e bem mais adiante me senti mais à vontade para falar de autogestão, da simpatia pelos sitaucionistas, da relação com o Inimigo do Rei na época da universidade, do Narrativa em Volta do fogo, dos Gestos Pela Cidade. E fomos ficando mais próximos. E me dei ao luxo de cotnradizê-lo: a cidade é um cemitério? como se você tem tanta vitalidade? Em cada esquina vc deve ter memórias de amigos, marcas que subjetivqam a cidade. Era como eu pensava e a ele, itneressava sim receber pessoas para divulgar seu modo de vida. E assim, ele terminou por simpatizar da proposta de receber um grupo de pessoas dos Percursos Urbanos e já se pôs a imaginar que seri ainteressante fazerem alguma, como plantar mudas. Ficou de discutir esse convite com os demais amigos e voltaremos a nos ver no próximo sábado.

Passei e-mail para um estudioso do cinemas em Porto Alegre  Fábio Steyer e ficou superafim de colaborar. Trabalha também com literatura e outros recortes. Também conheci um cego em um restaurante e discuti com ele a possibilidade de um roteiro sobre paisagens sonoras de Porto Alegre. Ficamos de trocar e-mails. Juliano, é o seu nome, mora atrês anos em Porto Alegre, funcionário público, movimenta-se sozinho, não particpa de nhuma das cinco associaçõees de apoio às pessoas com visão limitada, e tem entre seus amigos vários cegos.