entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo para encontros

22/agosto – Música e boas conversas

À noite, festa no apartamento da Lígia, uma das produtoras da Bienal. O apartamento parece ter sido projetado para o encontro alegre de dezenas de pessoas. Conheci uma arquiteta, cujo nome me foge, que propõs que os percursos investigasse no centro da cidade, os lugares onde ficariam as antigas margens do rio, antes do aterro onde forma construidos muitos quarteirões. E também se referiu a um conjunto residencial (era IAPB?) que foi modificado pelos moradores. Também conheci Eric, o curador editorial da Bienal, mostrou-se entusiamado com o roteiros que estão sendo concebidos. Ficou particularmente efusivo com o percurso sobre Tipos que vai associar alguns trabalhos da bienal com as narrativas de um velho tipógrafo. Quer uma contribuição específica para o catálogo da Bienal que não entendi bem qual seja, mas que iremso discutir já na segunda feira. Também conheci Camilo Yáñez, o curador geral. Estava bem a par da proposta, curioso sobre os roteiros que eu já havia definido. Falei-lhe da proposta de juntar na Ilha da Pintada pescadores e um clube de literatura para compartilharem histórias como a de Hemingway e as do cotidiano daqueles trabalhadores.  Ele acha que está muito dentro do espírito de abertura da Bienal. agradou-me aprticularmente sua fala sobre a horizontalidade das relações que esta curadoria esta tecendo. Ou seja, é muito provável que nossa proposta de realizar proejções de fragmentos urbanos sobre obras da Bienal possa acontecer. Ficamos de ter uma tarde de trabalho na segunda, junto com o Eric, o mexicano que é curador editorial.

     Rua principal da Ilha de Pintada, assunto de uma boa conversa

Rua principal da Ilha de Pintada, assunto de uma boa conversa

22/agosto – Um historiador e um cego como mediadores

Passei e-mail para um estudioso do cinemas em Porto Alegre Fábio Steyer e ficou superafim de colaborar. Trabalha também com literatura e outros recortes. Também conheci um cego em um restaurante e discuti com ele a possibilidade de um roteiro sobre paisagens sonoras de Porto Alegre. Ficamos de trocar e-mails. Juliano, é o seu nome, mora a três anos em Porto Alegre, funcionário público, movimenta-se sozinho, não participa de nenhuma das cinco associaçõees de apoio às pessoas com visão limitada pois já sabia braile e outras coisas que se aprende por lá. Tem entre seus amigos vários cegos. Conversando com a Claudia Paim ela sugeriu que a meidação poderia ser feita por um cego que fosse músico. A princípio ela achava pouco a função referencial do espaço por outros sentidos que não a visão. Sugeria que pudesse haver algum jogo sonoro. A princípio, acho que a busca por uma referencialidade não visual por si só conduz a uma recomposição da interação com a cidade.

23/julho Arregaçando as mangas: conhecendo Porto alegre

Fiquei hospedado no Centro, que bem diferente de Fortaleza, tem muitos hotéis e restaurantes. Isso facilitou a aproximação com a cidade. Mais o mais importante mesmo foi a companhia da Gabe, Gabriela Silva, uma simpatia a toda prova que me abriu as portas para contatos com pessoas e espaços superinteressantes, como o inesquecível Take Five Clube de Jazz. Também foi marcante a visita ao Museu iber~e Camargo e à ilha da Pintada, com direito à conversa com um velho pescador e sua esposa. Das idas e vindas, desenhei estas propostas preliminares para os percursos em Porto Alegre (algumas ainda serão incompreensíveis para terceiros); Em amarelo estão as que considereo melhores:

Percursos Urbanos – 7ª Bienal do Mercosul
1 – Pescadores – aluguel barco / sem mediador (?)
barco menor – que não é o noica do caí
2 – cegos – instalações sonoras – ACIRS
3 – cinema e cinemaquete – trajeto bienal / hitstória do cinema
4 – espaços de artistas – trajeto bienal – subterrenea / arena / torreão – claudia paim / coletivos de artistas
5 – poesia – cidade e leitura
6 – negritude – cidade-templo / smam – uso de parques em ritual
7 – diego fernandes – trajeto bienal – estética nazista atores negros e esteriótipos gays
8 – anti-psiquiatria – trajeto bienal – hospital psiquiátrico são pedro – javier teles
9 – história da bienal – trajeto bienal
10 – projeções de imagens da bienal na rua e vice-versa
11 – nicolas floch – trajeto bienal – começa na bienal + duas comunidades
12 – feira como curadoria – estética – mediação – escolha – seleção – gonzalo
14 – academias – diego melero
15 – negritude – musica
16 – deriva fluvial – leitura no barco
17 – tipografia – trajeto bienal – amigo gabriel
18 – indios – trajeto bienal – câmeras para indios – juan downey

20/julho – Direto para a mesa de encontros

A primeira viagem a Porto Alegre tinha como objetivo principal a Mesa de Encontros e a conversa entre os artistas e intelectuais que aconteceu nos dias seguintes. A metodologia era dar tempo para cada artista apresentar seu trabalho. Isso funcionou bem para o público, já nos encontros internos se passava muito tempo concentrado em alguns aspectos para depois sobrevoar outros temas. Havia um certo sentimento geral de estar fazendo alguma coisa pela primeira vez, contentes pelo papel que estaríamos ocupando em uma bienal que se propõe inovadora. Os brasileiros parecíamos não acompanhar o castelhano como língua oficial e frequentemente não sabiamos porque os outros eram tão teóricos: comentávamos se existiria uma diferença cultural que nos faz mais pragmáticos. De todo modo, o cansaço de ouvir foi lamentável porque já não conseguia entender tudo que o Francisco Reys apresentava. De qualquer forma, estou com muita coisa gravada, que pode ser acionada em várias necessidades. Com o Gonzalo pensamos comos eria interessante um curso para curadores populares, que ensinaria tb a propor roteiros culturais. Com Claudia Del Rio sonhei em fazer uma viagem pelo sertão, tendo como mote a extinção de pássaros.