entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo de autogestão

25/agosto – Cooperativa Solidária Utopia e Luta

Portaria da Comunidade Autônoma Utopia e Luta

Portaria da Comunidade Autônoma Utopia e Luta

Dentro de uma proposta de realizar um percurso sobre ocupações que constroem desejos coletivos fui hoje visitar a ocupação Utopia e Luta, uma cooperativa residencial.  Simplificando bastante, trata-se de um edifício do INSS que foi ocupado após uma análise de um grupo organizado e com uma liderança experiente em lutas sociais da  América Latina. Depois de muitos conflitos, com a polícia principalmente, e da mudança do marco legal sobre doações de patrimônios da União aquele se tornou o prédio foi doado, obteve-se financiamentos da Caixa Econômica para reforma de uma planta de uso institucional para uso multiresidencial. Isto são só algumas pinceladas do processo anterior.

Hoje o prédio já está reformado, as pessoas vivem um clima de afetividade, de auto-gestão, de trabalho em comum muito forte. O edifício é bem grande, mais de sete andares, com várias quitinetes e dois apartamentos maiores por andar, em baixo existem uma lavanderia e uma padaria com boas máquinas, uma serigrafia e teatro rebelde, a portaria e uma cozinha onde os moradores se revezam prestando serviços comunitários, de forma a diminuir o valor do condomínio. Cada andar tem, em uma parede próxima a escada, uma pintura como um tema diferenciador. Vale destacar que um dos apartamentos maiores foi destinado às brincadeiras das crianças. Renan Leandro apresenta em vídeo um dos espaços. Link aqui.

Estou com gravações de depoimentos, bastante politizados. Se alguém quiser entender com mais propriedade esta ocupação eu posso ennviar o material gravado. Este texto, os textos publicados sobre eles ou por eles não dão conta da intensidade e sinceridade desta experiência. Definitivamente, não é mais uma experiência.

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22/agosto – Lampião é punk

Outro contato interessante foi com Lampião, um jovem punk, anarquista é óbvio, que vive em uma comunidade. Conversamos depois que ele ajudou na desmontagem da feira de orgânicos, trabalho bem braçal; cumprimenta e é cumprimentado por feirantes, vendedores ambulantes. Sentamos em um banco do parque Farropilha e ali, beliscando as raspas de bolo que ele ofereceu e as bananas nanicas que Júlia compartilhou comversamos. Logo de início ele riu da idéia de 40 pessoas visitarem sua casa, riu pelo ridículo que lhe pareceu. E deixamos de lado a visita e fomos nos apresentando, e bem mais adiante me senti mais à vontade para falar de autogestão, da simpatia pelos sitaucionistas, da relação com o Inimigo do Rei na época da universidade, do Narrativa em Volta do fogo, dos Gestos Pela Cidade. E fomos ficando mais próximos. E me dei ao luxo de cotnradizê-lo: a cidade é um cemitério? como se você tem tanta vitalidade? Em cada esquina vc deve ter memórias de amigos, marcas que subjetivqam a cidade. Era como eu pensava e a ele, itneressava sim receber pessoas para divulgar seu modo de vida. E assim, ele terminou por simpatizar da proposta de receber um grupo de pessoas dos Percursos Urbanos e já se pôs a imaginar que seri ainteressante fazerem alguma, como plantar mudas. Ficou de discutir esse convite com os demais amigos e voltaremos a nos ver no próximo sábado.

Passei e-mail para um estudioso do cinemas em Porto Alegre  Fábio Steyer e ficou superafim de colaborar. Trabalha também com literatura e outros recortes. Também conheci um cego em um restaurante e discuti com ele a possibilidade de um roteiro sobre paisagens sonoras de Porto Alegre. Ficamos de trocar e-mails. Juliano, é o seu nome, mora atrês anos em Porto Alegre, funcionário público, movimenta-se sozinho, não particpa de nhuma das cinco associaçõees de apoio às pessoas com visão limitada, e tem entre seus amigos vários cegos.