entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo para Assunción

4,5 Assunciónes


Realizado o Percurso urbano de Assuncão estamos preparando uma pequena publicação, relatando, revivendo, confirmando as experiências. É um texto do fabuloso Javier Rodrigues. Mas para não perdermos tempo segue na caixa de downloads o material inacabado. Logo, logo estaremos publicando tudo revisado e com as fotos corretas.

Asunción: Entre a história e a imaginacão

Já em Buenos Aires entre entrevistas e visitas a espaços de cultural digital volto o olhar para Assunção. Foram dez dias se pausa, participando de uma oficina, preparando uma edição dos percursos urbanos, comprando material eletrônico e principalmente  conversando muito com as pessoas, artistas principalmente. Em todos eles, uma vontade muito grande de falar de história, dos desfiladeiros que levaram até o lugar em que ocupam. Mas também admirável a capacidade imaginativa perceptível nos trabalhos, na vontade de dialogar com o mundo em outras bases.

Comentários do dia a dia foram postados neste álbum do facebook mas gostaria de aproveitar para fazer uma pequena síntese das percepções que tive esclarecendo antes de mais nada que foram  apenas dez dias, bastante ocupado e movimentando-se basicamente nos limites do centro da cidade.  Portanto: impressões apenas, muitas das quais óbvias.

A Guerra do Paraguai dizimou 80% da população paraguaia,  tirou um terço do seu território, isso talvez até muitos de nós sabem. Mas poucos sabem que o último país a perdoar a dívida de guerra foi o Brasil: levou 80 anos para decidirmos que não cobraríamos mais do povo paraguaio estes recursos. Assim, dificilmente poderiam se levantar. Depois no século XX a Shell e a Esso se colocaram a disputar a região do Chaco – uma financiando armas para Bolívia, outra para o  Paraguai. Os dois povos nem entendiam porque estava brigando.  O fato é que o nacionalismo em nossos países parece ter servido mais a interesses de poucos. Deixamos de perceber nesta pantomima de cores nacionais o massacre dos negros submetidos a guerra, ou a destruição mútua das culturas indígenas. De qualquer forma, o Paraguai sobreviveu e a língua Guarani também.  E certamente as nações hoje mais ricas possuem uma dívida com este País e que certamente não pode ser na forma de esmola, mas do estabelecimento e uso de novas cartografias para América Latina.  Assim, poderemos ver muito além da venda de eletrônicos.

Na área digital, não temos os grandes eventos, mas o entusiasmo da pesquisa pessoal. Algumas empresas de publicidade ofereceram dentro de usas estruturas serviços de produção de imagens em novas mídias como video Mapping, streamig, virais para net. Entretanto parece não garantir a sustentabilidade na medida que são áreas que exigem esforços de pesquisa contínua que as empresas não podem financiar. Assim, são os próprios artistas que motivados por algum verme dão continuidade às pesquisas e práticas. Entre as pessoas que entrevistamos nesta área temos Daniel Milessi,  Juanchi Franco Maida e  Don Alvarit.  Esperamos dar continuidade às entrevistas pois percebemos que mesmo quando as unviersidades não se dão conta de acompanhar as mudanças das novas mídias, a informação e os processos de troca tem garantido a formação de talentosos artistas digitais.

Resumo da ópera

As postagens estão ralas e os acontecimentos intensos. Não tá dando pra acompanhar. Mas vamos fazer um resumo da ópera.

De Fortaleza ao Rio. Ali acompanhamos a IV Mostra Live Cinema, tivemos oportundidade de conviver com pesquisadores e artistas. Muitos deles agora já conhecíamos do ano passado. A sensacão já é outra. Existem trabalhos que pretendo comentar posteriormente.

Aproveitei para ver algumas exposições no MAM, no MAC, no Oi Futuro Flamengo, em uma pequena galeira que me foge a memória. Dali, na outra segunda, fui para Belo Horizonte ver o FAD 2011. Chegueia   tempo para o Simposio e duas oficinas. Fiquei na Casa e na biblioteca do Eduardo Jorge. SoLon Ribeiro estava por aqui e passamos uma boa tarde juntos. Na sexta fui para Inhotim e voltei de madrugada para o Rio. Dia seguinte, ArtRio antes do vôo para Assunção. Já na Residência Planta Alta hospedado em um casarão muito especial, em um quarto que sai ondulando a fronteira do luxo e da simplicidade, recebido por artistas superatenciosos. Larissa Jimenez, tive esta surpresa, é a criadora daquela casa com entulhos que está na frente do MAC do Dragão do Mar.  As conversas sobre políticas culturais predominam. Sensacão de que teremos muito, muito o que fazer. Agora, domingo, só neste casarão com duas gatas dorminhocas que só se mexem pra me acompanhar de um cômodo para outro.

A conexão ainda não permite o upload das fotos. Por enquanto, dê uma olhada no album da casa: http://www.flickr.com/people/larissa_jimenez/

Para cair na estrada

A viagem do Escuta Nômade está prevista para últimos dias de agosto, mas o projeto em si já se iniciou. Estamos preparando uma identidade visual que será incorporada em camisetas, textos e no estúdio nômade de entrevistas. Estamos aos poucos convidando pessoas de Fortaleza para se agregarem, procurando explorar as possibilidades do intercâmbio que virão. Alguns recebem a proposta de forma entusiasmada, outros ficam indiferentes. Com gestores e curadores  veremos a possibilidade de participarem de intercâmbios com seus pares latino-americanos, além de pensarmos juntos a formação de turmas para aulas à distância por artistas que iremos convidando para ministrar mini-cursos de apresentação de processos de trabalho e uso de softwares específicos. Gostaríamos de começar com aulas do Gimp com Naldo Rodrigues, de Recife.

Outra frente de trabalho atual é articulação dos contatos. Tivemos um início com pé direito no Paraguai, com um diálogo muito amigável com Daniel Milessi, da Galeria e Residência Planta Alta (veja foto). Tudo aponta para uma aproximação de Fortaleza e Assunção no campo das artes. Acertamos a realização de uma oficina de desenho cultural na qual apresento propostas que realizamos como os Percursos Urbanos e o Narrativas em Volta do Fogo.

Casarão onde funciona a Galeria/Residencia/Bar Planta Alta

A tecnologia para emissão ao vivo das entrevistas ainda não foi decidida. Abrimos o canal Escuta Nômade no Livestream e aprendemos a usar os recursos de edição disponíveis. Mas gostaríamos de trabalhar com mais de uma câmera, com mais recursos para edição ao vivo. Quando aprendermos isso, poderemos replicar esse know-how na viagem mesmo. É uma frente de trabalho muito interessante.

Enfim, vamos adiante, na confiança de que as pessoas querem dialogar, desenvolver trabalhos e novos projetos juntas, e que a escuta é uma ferramenta poderosa.