entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo para junho, 2011

Um olhar de 2011 para 2010

PROJETO: PERCURSOS URBANOS
MOSTRA SESC DE ARTES – 19 à 28/11

19/11 SEXTA
SESC CONSOLAÇÃO
19h30 / 23h

A São Paulo epifânica de Caio Fernando de Abreu. Neste roteiro iremos acompanhar a literatura e personagens de um autor mestre na exposição da solidão humana, da procura por amor e cumplicidade. O circuito do baixo centro servirá de ambiente para leituras e dramatizações.

Mediador: Rodolfo Lima
Trabalhos como ator: Réquiem para um rapaz triste (2003) e Todas as horas do fim (2004), como diretor: Epifanias (2009) e Epifanias 2 (2010) e a produção da Mostra Cênica Caio Fernando de Abreu (2009). 

20/11 SÁBADO 
SESC CONSOLAÇÃO
15h / 18h30

Para Além dos Olhos: uma deriva guiada. Um roteiro para pensar nas deficiências das pessoas comuns, profundamente ligadas ao mundo pela visão e incapazes de chegar a ele através de outros sentidos. Como mediador, uma pessoa cega que nos guiará pelos limites e possibilidades da ausência de visão. Vendas para os olhos estarão disponíveis aos participantes.

Mediador: Claudio Marcos Ângelo
Deficiente Visual há 14 anos após sofrer um acidente, é freqüentador da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, onde também trabalha no departamento de telemarketing. Toca violão, joga futebol e não dispensa uma partida de dominó.


21/11 DOMINGO 
SESC CONSOLAÇÃO
15h / 18h30

A cidade como playground. Neste percurso vamos observar como as estruturas urbanas são reapropriadas e resignificadas por seus habitantes, em especial pelos jovens, em uma provocação à arquitetura instituída. Skate, Le parkour serão algumas das práticas de transformação urbana a serem vivenciadas, apreciadas e analisadas.

Mediador: Alexandre Barbosa Pereira
Doutor em antropologia social, associado ao Núcleo de Antropologia Urbana da USP, pesquisa práticas culturais juvenis no contexto urbano.


22/11 SEGUNDA 
SESC CONSOLAÇÃO
15h / 18h30

Rotas do alimento: do mundo ao mercado. A recomendação para este percurso é levar uma boa sacola porque iremos a mercados para comprar o de comer e o de beber. Ali, entre bacias e balanças, vamos aprender sobre a história da alimentação no Brasil, sobre as origens e disseminação dos produtos agrícolas, enfim será uma boa ocasião para pensar sobre a formação de nossos sabores e gostos.

Mediadora: Dolores Freixa 
Historiadora, professora universitária do curso de turismos e patrimônio da Universidade de Guarulhos, guia turística cultural, autora dos livros: “Gastronomia do Brasil e do mundo”; Senc editora e “Culinária brasileira – Raízes culturais do nosso país”; editora Larousse do Brasil.

23/11 TERÇA
SESC CONSOLAÇÃO
15h / 18h30

Pequena Jornada Teológica Poética. Pode a arte ser o lugar do Sagrado? Neste percurso nos propomos a encontrar romancistas, poetas, artistas e conhecer a angústia, a teologia bruta que pulsa no fundo dos seus textos. E depois? Depois Guimarães Rosa nos dirá: “Tudo, para mim, é viagem de volta”.

Mediadora: Cristiane Tavares

24/11 QUARTA
SESC SANTO AMARO
15h / 18h30

Em cada canto um conto: uma experiência teatral Um passeio por lugares da cidade onde memórias pessoais são compartilhadas, ganham vida e tornam-se vivências coletivas através do teatro e da música. Valorização da escuta e dos narradores, exposição de processos criativos serão algumas das marcas deste roteiro dramatúrgico desenvolvido por quatro atrizes.

Mediadores: Grupo Nhê Maria
Grupo de teatro pesquisador da arte cênica em duas vertentes: o improviso e a construção de cenas, tendo como foco  encontrar outra relação com a platéia, tendo como guia das ações o resgate da memória e a relação na inserção espaço-tempo.

25/11 QUINTA 
SESC SANTO AMARO
15h / 18h30

Arte pelas margens. Onde a ligação do ser urbano com o céu, a floresta, as águas? Neste roteiro propomos uma ligação com a água que vai além das torneiras. Passearemos pela Represa Billings, contemplaremos bichos e gentes, acompanharemos artistas anfíbios e suas práticas resistentes  e até conspiraremos por uma cidade zelosa por suas águas.

Mediadores: Mauro Sergio Neri da Silva e Cesar Pegoraro
Mauro Sergio Neri Silva – Mauro é artista, educador, grafiteiro e (ou) artista plástico.
formado em artes visuais, integrante do coletivo Agentes Marginais e idealizador do Projeto Imargem, que realiza ações multidisciplinares envolvendo a comunidade na conservação ambiental. 

26/11 SEXTA 
SESC SANTO AMARO
19h30 / 23h

Comida de Santo.  Oferendas destinadas as Entidades espirituais e aos Orixás, as comidas sagradas dos terreiros, feitas por cozinheiras de santo  nos ajudarão a compreender melhor, neste percurso, a personalidade dos santos, as formas de devoção, as funções dos alimentos e a relação entre corpo e espiritualidade nas religiões de matriz africana.


Mediador: Reginaldo Prandi, escritor do livro Mitologia dos Orixás, A criação do Mundo – contos e lendas afro-brasileiros, Morte nos Búzios, Segredos Sagrados – Orixás na Alma Brasileira
 

27/11 SÁBADO 
SESC SANTO AMARO
15h / 18h30

Pela alma e pelo corpo, outras medicinas. A busca pela saúde e pelo bem estar nem sempre passa pela ciência e pela farmácia.  Neste percurso investigaremos práticas populares da região de Santo Amaro de se alcançar a cura, seja por meio de plantas e substâncias medicinais, seja por meio de gestos, orações.

Mediadora:  Ana do Val
Arquiteta, urbanista e artista plástica, pesquisadora do Grupo de Estudos em Mídia Impressa no COS/PUCSP. Etudou na escola de Belas Artes de Frankfurt. Coordenadora executiva de mapeamentos e interfaces digitais do Núcleo de Desenvolvimento Cultural do Intituto Polis, onde cordena projeto de mapeamento sociocultural da zona sul de São Paulo para o SESCSP. 

28/11 DOMINGO
SESC SANTO AMARO
15h / 18h30

Santo Amaro – Bom Retiro Território em Trânsito. Como a arte pode se relacionar com processos de transformação urbana e social? Este percurso ao  estabelecer ligações entre dois diferentes bairros da cidade, colocará em evidências pessoas e práticas artísticas  que ativam processos  que potencializam a capacidade criativa do espaço social local.
Mediadora: Lilian Amaral
Artista visual, mestre e doutora em artes visuais pela ECA/USP, pesquisadora curadora em projetos de arte pública contemporânea, desenvolve o projeto: Arte urbana no Brasil e paises Ibero Americanos, integra o coletivo POCS/Barcelona, dirige o projeto: “Museo aberto: a cidade como museo”

www.pocs.org

Um olhar de 2011 para 2010

Fly dos Percursos Urbanos na Mostra Sesc das Artes de São Paulo

Um olhar de 2011 para 2010

Quando terminaram os percursos para o SESC de São Paulo eu fiz um e-mail para compartilhar alguns das percepções, sentimentos. Na época, eu e a Thaís não tivemos tempo de alimentar um blog. Posto agora o fly, a lista dos percursos, este e-mail e amanhã ou depois algumas fotos para que a nossa memória tenha essa ajuda.

Gente gentil….

também saio agradecido e com a memória saindo pelo ladrão como os novos souvenirs. Fica a visão do terraço do copan, noite de céu aberto com luzinhas dos aviões subindo e descendo, meio a milhões de outras amareladas, ou a milhares vermelhas na ponta dos para-raios, bem abaixo de uma lua que parecia querer se enturmar. Também vou levar a imagem da névoa que foi se fechando sobre a represa, transformando-se em um gravura chinesa, para em seguida não ser mais nada, só névoa e estranhamento. Fica a chuvinha no rosto, sapato meio molhado, alarido educado de adolescentes felizes e uma balsa deslizando por entre dois trapézios. Fica uma história terrível como só as de carochinha podem ser, com lenha, floresta, cavalo, caçador, rapto, escravidão e libertação. E choro e dor e bálsamos. Fica o remorso pelo peso da caixa de som e a vontade de um motorzinho, ou que fosse um vilão de história em quadrinhos levando-a por percursos infindáveis morros acima até mudar de alma. Fica a imagem de plantinhas do Caio Fernando Abreu ainda hoje vivas e bem cuidadas por seu amigo, fica essa sensação de que o afeto gera tempo e disponibilidade, inclusive para passear. Ah… levarei comigo durante muito, muito tempo a lembrança de um trabalhador do mercado improvisando uma venda para compartilhar que experimentávamos naquele percurso guiado pelo Marcos. Claro que Gabriela vai ficar em lguar especial, assim como os guardachuvas, a água, o brigadeiro, a bolsa, todas aquelas pequenas coisinhas, que mostraram um jeito suave de cuidar. Vou continuar lamentando não ter ido ao percurso da Comida de Santo e para compensar vou rir lembrando de quando entrei no quarto do hotel que já estava ocupado: esqueço nunca a mulher segurando com uma mão o lençol acima dos peitos, dando um pulo e aplicando uma portada muito segura na minha cara. A primeira portada ninguém esquece.

Enfim, caros novos amigos, , acho que o mesmo diz a Thaís, não vou esquecer de vocês, da Sandra com quem tenho tantoas identidades estéticas (o gosto pelo Ministry of Sally Walk: algum dia teremos coragem de sermos tão ridículos?), a Tatiane, tão doce e envolvida com missões impossíveis (encotnrar identidade para Sergipe), a Denise que possui dento de casa a mais amável das previdências privadas, o Tomaz que faz da arte exercício de humanidade, o Rafa a tudo atento e atencioso.

Vou fazer um foto mental nossa ao lado da prateada Gabriela e do seu Vicente. Não sou muito dado a nostalgias mas quem sabe algum dia eu não queira mostrar algumas fotos antigas, falar de coisas que aconteceram, assim pequenas, assim especiais.

Júlio