entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo para outubro, 2009

31/outubro – Cidade desejante: percurso sobre ocupações urbanas

Nesta tarde de sábado saímos com o ônibus lotado para investigar três situações de moradia, para pensar práticas de transformação da vida urbana . A primeira situação visitada foi a de catadores de papel que moram em espaços públicos. Depois fomos a uma favela cujos moradores estão vivendo um processo de recolocação especial. A peculiaridade é que eles querem se preparar para a nova moradia se organizando, desenvolvendo ações ali mesmo, onde já vivem: acreditam que doutra forma não saberão fazer a transição. E o terceiro espaço visitado foi a comunidade Utopia e Luta, já comentada neste blog em post anterior. Por falta de tempo, o relato deste percurso vai ser realizado, neste primeiro momento, apenas com fotografias.

Relembrando a proposta divulgada:
A Cidade Desejante.
Recorrente a imagem nas cidades latino-americanas de pessoas relegadas a condições subumanas de moradia e trabalho, já descrentes do valor da voz e das mãos. Sem renda, são geralmente ignoradas por projetos habitacionais. Nesta tarde, em rota inversa, iremos conhecer comunidades residenciais resultantes de experiências de persistente mobilização popular. Uma oportunidade de observar o caminho entre o desejo, o desenho da imaginação e a prática cotidiana de autogestão e cooperação.

Mediador: Fernando Campos Costa. Ativista social, permacultor, técnico militante no campo da bioarquitetura e ações cooperativas. Membro do Casa Tierra, Núcleo de Amigos da Terra.

E vamos para as fotos:

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Apresentação de costume no cais

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Reconhecendo conexões da cidade com a obra de Nicholas Floch

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Conversando com moradores de rua

Seu Luís, liderança comunitária fala o ponto seguinte do percurso

Vários pequenos jardins, muitos barracos bem organizados

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Maior parte dos moradores vivem como catadores de lixo

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Seu Luís fala do projeto que dará lugar à rampa de lixo

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Debate sobre conceitos Ocupação e Invasão: quando o estado privatiza espaços públicos, o que é isso?

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Visita ao Utopia e Luta começou pelo espaço cultural

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Conhecendo a história da comunidade

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Depois de tudo, no terraço, mais conversa para fechar o percurso

COMO SE FOSSE UM HAPPENING. Intervenção na 7ª Bienal do Mercosul

VAI SER MUITO INTERESSANTE ESTE ENCONTRO

A 7ª Bienal vista de forma inacabada, em contínua recriação. Este é o mote da intervenção em que vários artistas se reúnem para refazer provisoriamente uma vídeo-arte da mostra Ficções do Invisível, expondo processos criativos, alterando sentidos, reafirmando o conceito de obra aberta.
Com o artista Júlio Lira e artistas convidados: Antônio Augusto Bueno, Fabiano Gummo, Fernanda Manéa, Gaby Benedyct, Marcelo Armani, Sol Casal e Rodrigo Uriartt.
Dia 03 de novembro, 19h na Mostra Ficções do Invisível (Armazém A4, no Cais do Porto)

Camiseta para identificação no Cais 3

Para facilitar a identificação da produção no Cais 3, ponto de encontro dos participantes dos Percursos Urbanos a Liane Strapazon e a Júlia Coelho, conspiradoras das ações, estão usando esta nova camiseta.
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29/outubro – Dionísio vai à guerra, percurso sobre teatro de resistência em Porto Alegre

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Foto da peça Os fuzis da Senhora Carrar, encenada no Teatro de Arena

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Rafael Guimaraens, mediador do percurso, se apresenta

Hoje fizemos um itinerário pela vida de grupos que criaram espaços para produzirem suas peças, incentivarem o debate político, que incentivam mostras de artes que não eram vistas nos circuitos convencionais. O mediador, Rafael guimarães, entre muitos livros, escreveu um sobre o Teatro de Equipe e outro sobre o Teatro de Arena.

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Primeiro livro de Rafael sobre o tema: Trem de volta - Teatro de Equipe

O primeiro grupo a ser citado foi o Teatro de Equipe (1958-1962), que transformou em um comitê de artistas em favor da legalidade lesada nos movimentos que antecederam o golpe de 64. “Não somos diletantes. Estamos em teatro porque temos necessidade de nos expressar. Buscamos dar nossa contribuição ao homem através do teatro, não para distraí-lo, mas para humanizá-lo”, diz Paulo José, um dos integrantes do grupo, em texto que mais tarde iria para registro página da internet.

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Teatro de Arena, Palco de Resistência: Prêmio Açorianos de Livro do Ano


Na visita ao Teatro Oficina ouvimos relatos do esforço braçal dos atores para escavar, para levantar o prédio, depois dos trabalhos e de aulas de um curso de teatro. Com tijolos desapropriados daqui e dali, com persistência clandestina, o espaço foi construído. Virou um lugar de peças, de debates, de militantes, de operários. Em seguida, foi espaço de luta pela anistia. Tudo isso com muitas invasões, ameaças, represálias, torturas. De fato, impressiona a coragem daqueles atores. Um pouco da história deste grupo pode ser vista neste link.

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Difícil sentar sem se deixar contaminar pela atmosfera histórica

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Cena de À flor da Pele, com Jairo de Andrade e Marlise Saueressig

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Camilo e Miguel Ramos em cena de Mockinpott

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Registro da encenação de Corpo a Corpo, de Oduvaldo Viana Filho

Agora o teatro funciona também como centro de pesquisas e documentação
Agora o teatro funciona também como centro de pesquisas e documentação

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Textos com cortes da Polícia Federal fazem parte do acervo

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O Teatro Marcelina também foi alvo da repressão do Comando de Caça aos Comunistas

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Terceira parada: o Clube de Cultura

Link aqui

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Aprendendo sobre a história do clube de Cultura

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Olhando fotos antigas dos judeus “vermelhos” que fundaram o clube

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Programas com peças em iidiche: luta política pela língua foi uma das primeiras bandeiras do clube

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No final Rafael Guimaraens pôs em debate os novos rumos do Clube de Cultura

Percursos Urbanos na Bienal continuam nesta semana

Quatro saídas estão previstas. Entre os mediadores, estão o jornalista Rafael Guimarães e o curador independente Pexão

Nos dias 28, 29 e 31 de outubro e no dia 01 de novembro, o artista Julio Lira do coletivo MESA dá continuidade ao projeto Percursos Urbanos – Escuta na Cidade / Ruído na Bienal. Com o objetivo de compartilhar conhecimentos e (re)descobrir espaços e pessoas, cada percurso abordará um tema e será mediado por pessoas de saberes acadêmicos e populares diferentes. O jornalista Rafael Guimaraens e Pexão (Lucas Ribeiro) – curador independente, skatista e galerista são alguns dos convidados. Os percursos têm duração de três horas e meia e trajetos diferentes a cada dia. As saídas são sempre no Armazém A3, do Cais do Porto. As vagas são limitadas e as inscrições gratuitas podem ser feitas, com até um dia de antecedência, pelo telefone 3254 75475 ou através do e-mail julia@bienalmercosul.art.br.

Mais informações sobre o artista podem ser conferidas em https://juliolira.wordpress.com. Programação semanalmente atualizada em http://www.bienalmercosul.art.br.

Programação 2a Semana – 28.out a 01.nov

DIONÍSIO FOI À GUERRA

Teatro de Resistência em Porto Alegre. Um tempo onde o palco era arena de combate. Os temores nas noites frias e perigosas encontravam a coragem calorosa na simbiose entre artista e público, todos sabendo exatamente do que se tratava estar ali. Um trajeto por espaços incrustados na paisagem não só como prédios, mas como histórias e vivências em que a arte era do espírito e da consciência.

Mediação: Rafael Guimaraens. Jornalista, vivenciou o período da luta contra a ditadura militar e tem livros publicados sobre a memória cultural da cidade, entre eles, Teatro de Arena – Palco de Resistência.

Dia 28 de Outubro, quarta-feira.

INTERFERÊNCIA NA BIENAL

Escuta na cidade, ruído na bienal – Neste percurso os participantes serão convidados a interferir em uma obra da bienal, alterando sentidos, recriando-a provisoriamente. O roteiro se inicia assistindo e debatendo o vídeo da artista escolhida, Ana Gallardo. Em seguida, as pessoas serão conduzidas por uma deriva na cidade em busca de objetos que mais tarde serão projetados em confronto com a obra da artista.

Mediador: Júlio Lira. Artista e sociólogo participa do programa Artistas em Disponibilidade desenvolvido pela VII Bienal do Mercosul
Dia 29 de outubro, quinta-feira.

MOBILIZAÇÕES URBANAS

A Cidade Desejante. Recorrente a imagem nas cidades latino-americanas de pessoas relegadas a condições subumanas de moradia e trabalho, já descrentes do valor da voz e das mãos. Sem renda, são geralmente ignoradas por projetos habitacionais. Nesta tarde, em rota inversa, iremos conhecer comunidades residenciais resultantes de experiências de persistente mobilização popular. Uma oportunidade de observar o caminho entre o desejo, o desenho da imaginação e a prática cotidiana de autogestão e cooperação.

Mediador: Fernando Campos Costa. Ativista social, permacultor, técnico militante no campo da bioarquitetura e ações cooperativas. Membro do Casa Tierra, Núcleo de Amigos da Terra.

Dia 31 de outubro, sábado.

CULTURA DE RUA

Cidade Reconfigurada. O skate de rua busca explorar a cidade, vivenciar sua dimensão lúdica e a expressão corporal de seus praticantes. É uma prática urbana que se apóia em interfaces gráficas como revistas, camisetas, estampas de pranchas, demarcações de território assim como em universos sonoros afins. Talvez por isso muitos dos seus adeptos fogem da categoria de atletas e se vêem como artistas performáticos, especialistas em reconfigurar a arquitetura e mobiliário urbanos através de uma percepção singular do espaço. Neste percurso iremos investigar a performance do skate, com suas táticas e críticas à suposta ordem estabelecida pelas instituições.

Mediador: Lucas Ribeiro. Skatista, fanzineiro, jornalista, curador independente e galerista. Sócio-fundador da extinta galeria Adesivo e autor do projeto e curadoria geral da mostra TRANSFER, no Santander Cultural. Escreve para as revistas Vista Skateboard Art e Void, é sócio da produtora noz.art e proprietário da galeria FITA TAPE.

Dia 01 de novembro, domingo.

O projeto Percursos Urbanos se caracteriza por criar roteiros investigativos dentro de uma metodologia própria. Em Porto Alegre, Percursos Urbanos – Escuta na Cidade / Ruído na Bienal irá apresentar e discutir os desafios e as possibilidades da urbe, através de conversas com pessoas de saberes acadêmicos e populares, que atuarão como mediadores durante os trajetos realizados em ônibus urbanos. Em outubro, Percursos Urbanos acontece entre os dias 21, 22, 24, 25, 28, 29 e 31 de outubro. Em novembro, nos dias 01, 04, 05, 07, 11, 14 e 15. A saída será sempre do Armazém A3 do Cais do Porto as 15h. As inscrições gratuitas podem ser feitas, com até um dia de antecedência, pelo telefone 3254 7545 ou através do e-mail julia@bienalmercosul.art.br.

O projeto é desenvolvido também em Fortaleza/Ceará, há mais de cinco anos, pelo coletivo Mediação de Saberes em parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza.

Serviço
Programa de Residências Artistas em Disponibilidade, com artista Julio Lira
Percursos Urbanos – Escuta na Cidade / Ruído na Bienal
Dias 28, 29, 31 de outubro e 1 de novembro
Saída do Armazém A3, do Cais do Porto: das 15h às 18h30min
Entrada franca, mediante inscrições antecipadas pelo telefone 3254 7545 ou pelo e-mail julia@bienalmercosul.art.br
É necessário chegar com 15min de antecedência

25/outubro – Paisagens não-visuais

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Apresentação da proposta para os participantes

Thaís e Juliano, os mediadores. Ao seu lado, Ju, a namorada.

Antes de sair
Bastante gente inscrita para o percurso, alguns dos quais já haviam vindo para anteriores: aos poucos vamos criando um núcleo de pessoas mais próximas, que se repetem. Alguns lamentam, porque só podem vir no final de semana. Agradável ver a proposta dando tão certo quanto em Fortaleza.

Neste domingo, uma das primeiras coisas que compartilhamos com o grupo era que não se tratava de promover uma concepção romântica pela qual as pessoas que não vêem ou vêem pouco são compensadas pela potencialização dos outros sentidos. As dificuldades do cotidiano de um cego nos impedem de tal pensamento. Mas, tampouco nos interessava neste percurso induzir uma percepção sentimental, onde as pessoas cegas são associadas a suas limitações, bloqueando a atenção para suas singularidades. Particularmente nos interessava em pensar nas deficiências das pessoas comuns, profundamente ligadas ao mundo pela visão e incapazes de chegar a ele através de outros sentidos.

Ônibus perfeito, silencioso: motor atrás, montado do lado de fora do veículo.

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Depois das apresentações, Juliano respondia perguntas a todo momento

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Na Esquina da Borges, a primeira vivência

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Proposição: Escutar uma esquina, discernir sons

Muitos minutos silenciosos, de só escuta

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Proposição: No alto do viaduto ouvir a duplicidade dos planos (avenida abaixo e rua acima)

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No alto do viaduto, sol e brisa

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Proposição: Prestar atenção ao piso

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De volta ao ônibus

Proposição: Movimentar-se pelo parque Redenção

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Ponto de reencontro em uma das fontes: o som parecia de uma cachoeira

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No finalzim de tarde, Thaís Aragão fala sobre suas aprendizagens no campo das paisagens sonoras

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Depois do percurso Juliano e sua namorada, Ju foram visitar a Bienal

No decorrer desta tarde ouvimos muitos relatos, descobertas do funcionamento do próprio corpo, esforçamo-nos – inclusive as crianças que se dedicaram com muita sinceridade – para entender como poderia ser a percepção e por fim para compreender o que são as paisagens não visuais. Muitas perguntas e respostas foram gravadas e espero colocar à disposição dos interessados logo.

Uma das coisas que guardei da Thaís foi seu texto sobre a sobre a territórialidade construída a partir da sonoridade que não é móvel. São territorialidades que se formam e que depois se evaporam criando uma paisagem menos fixa que a paisagem sonora. Os sons são também utilizados como táticas, estratégicas com sentido sem precisar ter raízes ou erguer estruturas.

Final de tarde, sensação boa.

O TEXTO DE DIVULGAÇÃO DO PERCURSO ACIMA RELATADO FOI O SEGUINTE:
Paisagens não-visuais (Vivências) – Para nos ajudar a perceber e repensar a paisagem urbana convidamos cegos para nos conduzirem, levando-nos a retomar a cidade através da escuta, do tato e da atenção sinestésica. Além do espaço urbano, obras da bienal serão apreciadas. Em vários momentos os participantes serão convidados a usar vendas. Tão importante quanto a vivência será o bate-papo com estudiosos sobre questões como a configuração da paisagem não como algo determinado pela natureza mas pela articulação de experiências e práticas discursivas.
Mediadores: Thaís Aragão, produtora cultural, jornalista e pesquisadora do som enquanto constituidor de territorialidades e Juliano Machado, Funcionário público federal, formado em jornalismo pela Universidade de Caxias do Sul, graduando de Ciências Sociais pela UFRGS. Deficiente visual desde os dez anos de idade.
Ponto de saída: Armazém A3 do Cais do Porto

23/outubro – Práticas do desejo

O texto para divulgação deste percurso foi o seguinte:
Práticas do Desejo – Partindo de um desejo de realização, liberdade e autonomia artistas criam e administram espaços próprios onde buscam outro tipo de relação entre as pessoas e com as proposições artísticas. São espaços intermediários que se afirmam por apresentarem singularidades que refletem o pensamento de seus idealizadores. Neste percurso serão visitados o atelier de Rodrigo Lourenço, a Galeria Subterrânea e a Galeria Azul.
Mediadora: Cláudia Paim, artista plástica, doutora em Artes Visuais pela UFRGS.
Ponto de saída: Armazém A3 do Cais do Porto

Claudia Paim, mediadora deste percurso

Claudia Paim, mediadora deste percurso

A tarde não começou bonita. Tava chovendo e fazendo frio. Eu já tinha pensado num plano B: dispensar o ônibus e levar os dois ou três corajosos que aparecessem para fazer o percurso no carro da Claudia. Para minha surpresa mesmo com o clima conspirando contra apareceu um bom grupo. Entre eles, Margarete de Oliveira (SP), Joana D’Arc Lima (PE) e Renato Negrão (MG), arte-educadores selecionados e premiados pelos Rumos Visuais, no campo da educação. A presença deles, junto com o Ulisses, que é um músico uruguaio radicado em Porto Alegre, trouxe mais diversidade ao percurso.

Iniciamos com Claudia Paim apresentando a proposta, explicando que o título do roteiro explicava-se no fato de que os pontos que seriam visitados logo em seguida nasceram do desejo de seus idealizadores terem espaços próprios, com suas caras, que atendessem as reais necessidades dos artistas referentes a condições para visibilidade e também para reflexão, para discussão, superando a simplicidade da ausência de grandes estruturas, mas levando aos processos e produtos com os quais se envolve uma carga simbólica bem distinta das existentes nos museus e grandes instituições.

Participante apreciando a exposição em cartaz

Participante apreciando a exposição em cartaz

Grupo ouve relato sobre a experiência

Grupo ouve relato sobre a experiência

O artista Gabriel Netto, um dos idealizadores, expôs as práticas da Subterrânea

O artista Gabriel Netto, um dos idealizadores, expôs as práticas da Subterrânea



A Galeria subterrânea
, segundo Claudia Paim, nasce da idealização de colegas do Instituto de Artes da UFRGS e que resolvem dividir os custos de um espaço que todos usassem como ateliê de trabalho. Depois passaram a utilizar como espaço de exposição, hoje bastante valorizado justamente porque ali existe uma feição de contemporaneidade, que não trabalha apenas com a bi-dimensionalidade, abrindo pauta também para performances, instalações, vídeos, que as galerias comerciais não aceitam muito bem porque em Porto Alegre este tipo de obra, mais ligada a processos, não vende bem.

Processos – Gabriel Netto falou da exposição de artistas chilenos em cartaz, da forma de seleção dos artistas para mostras e se deteve também para comentar a experiência de compartilhar a outra parte do espaço, o ateliê, com os cinco colegas: “Existe um processo em andamento sempre. É difícil chegar e não ter alguma coisa em rpocesso e isso é empolgante. Ah! Em alguns momentos até contamina um trabalho do outro… a gente tenta dar limite a isso.”

Rodrigo Lourenço apresentou a história de seu ateliê e da Desvenda, feira de arte

Rodrigo Lourenço apresentou a história de seu ateliê e da Desvenda, feira de arte

Rodrigo precisava de uma prensa pequena e criou a engenhoca

Rodrigo precisava de uma prensa pequena e criou a engenhoca

Segunda parada foi no ateliê de Rodrigo Lourenço onde ele nos apresentou sua convicção de que bons espaços de exposição em Porto Alegre existem e que ele sente falta de lugares onde os artistas possam mostrar suas pesquisas, pois a exposição sempre envolve uma espécie de conclusão de um etapa, de uma pesquisa mais consistente. Daí a demanda de um lugar onde se possa mostrar a pesquisa, o processo mesmo, e não a sua conclusão. E para isso não existia na cidade este espaço de exposição, onde os artistas podem mostrar uns para os outros seus trabalhos em andamento e de quebra, vender alguma coisa, para amortizar os custos de produção. E fazer tudo isso sem fazer o esforço tremendo que costumam fazer para realizar uma exposição.

Catálogo com preços das obras expostas: preços bem acessíveis

Catálogo com preços das obras expostas: preços bem acessíveis

Ponto forte de seu relato e uma das razões da escolha do lugar pela mediadora é que a vizinhança abraçou a proposta que ele primeiro e outros artistas depois realziaram de abrir seus ateliês para o resto da cidade. Eles também se apropriaram da feira vendendo alimentos, aproximando-se dos artistas, adequando os modos de convivência, como quando fizeram no São João uma enorme fogueira.


Próxima parada, Galeria Azul


(foto capturada do site da galeria)

Gaby Benedict apresentou sua proposta para o grupo

Gaby Benedict apresentou sua proposta para o grupo

Na terceira parada a estréia antecipada de uma bonita exposição e seus artistas Tibi Meirellez com (fotografia), Elisane Pierotto (cerâmica) e Maurício David ( assemblage e sonoridade) nos esperavam. Após um pouco de fruição, Gaby Benedict, criadora da Azul nos explicou sua maneira de trabalhar, que associa com um laboratório de idéias de exposição, de convivência. Uma das salas utiliza como galeria e outra como espaço para acervo, mas que fica exposto, com os preços escritos a lápis. Recente, a galeria nasceu em maio de 2008, e já realizou aproximadamente umas dez exposições, incluindo o Performance Day, proposta que avança até a praça, procurando envolver também a comunidade. Procura não se ater a um modelo único, investindo em práticas diversas, como uma tudoteca que pretende implatnar para emprestar coisas aos vizinhos. Essas e muitas outras idéias estão engatilhadas e prestes a acontecerem. Mais sobre a galeria pode ser visto neste link. O Maurício também é designer e seus incríveis brincos podem ser vistos aqui; O link para as fotografias do Tibi está aqui e o flickr de Eliane pode ser acessado aqui.

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No final da tarde o sol saiu, ainda fomos ver uma obra na Rua dos Andradas de um artista que me agora me foge o nome. Depois de tudo, alguns ainda se juntaram para uma conversa no café, com as nuvens resplandecendo por trás das nuvens, do outro lado do rio. Muito mais aconteceu do que está descrito aqui. Fica sempre a vontade de contar mais detalhadamente.

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