entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo para agosto, 2009

28/agosto – Uma história coletiva e dispersa da Bienal

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Hoje passei mais tempo no escritório da Fundação Bienal tentando deixar a lista de percursos mais definida pois viajo para Rosário na terça e só volto em outubro. A maior parte das pessoas que trabalham aqui são bem jovens, envolvidos com temas interessantes e já trabalharam em muitas outras edições da Bienal. Poucos são funcionários permanentes da Bienal. O escritório é surpreendentemente simples, bem vintage, merecendo algumas novas cadeiras.

Ao final do dia
Propus para Mônica Hoff mediar um percurso sobre a histórias das diversas edições da Bienal do Mercosul, mas de forma que todos os participantes compartilhem suas memórias. Acredito que o resultado será muito bom, certamente gravarei, porque percebo em boa parte da cidade um afeto, uma curiosidade pela Bienal. E uma certa fidelidade, ouvi várias vezes as pessoas dizendo que foram a todas edições, etc. E elas terão o que falar; juntando um fio condutor que explique as diferenças curatoriais com tais subjetividades teremos um memorável encontro.

Uma coleção de passeios
Ao final da conversa, descubro uma identidade, o gosto por passeios situacionistas, digamos assim. Mônica coelciona passeios, ou seja, as pessoas dão a ela propostas de passeios que ela realiza. Assim, contei para ela da experiência que eu realizo com o Ítalo (Mapas do Medo) sobre os medos de cada um e rapidim ficou interessada em reeditar. Um vídeo com seu depoiemnto sobre sua coleção de passeios encontra-se AQUI.

Marina de Caro e Mônica Hoff

Marina de Caro e Mônica Hoff

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28/agosto – Novos, velhos pobres

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Andando pelas ruas de Porto Alegre, percebemos imediatamente que a pobreza não é epidêmica como em tantos estados do país. O nível econômico e cultural permite que exista em um bar elegante um evento de literatura pago (R$10,00 para ouvir uma seleção de textos comentada com humor, vinho à parte). Restaurantes vegetarianos a cada esquina, feiras ecológicas são indícios de educação e desenvolvimento humano. Entretanto,a pobreza parece ter um lado mais duro por transparecer um viés étnico. O professor de jornalismo Wladimir Ungaretti, diz em seu blog, que nunca teve um aluno negro. Talvez, a única diferença do resto do Brasil é que aqui as delimitações são mais nítidas. O crack também iguala Porto Alegre ao resto do país, tornando o conceito de pobreza velho, ineficaz, como aprendi com Eduardo Solari.
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Mas a resistência existe. Terei pela frente conversas com articuladores de resistência de movimentos indígenas e negros. Hoje, da janela, vi uma passeata convocada pelo Movimento Negro Unificado. Suas bandeiras de luta: Pela titulação imediata e sustentabilidade das terras quilombolas; pela retirada das tropas brasileiras do Haiti; reparação já.

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27/agosto – O dilema gaucho

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O mito do Gaucho garantiu a unidade de pessoas de origens tão diferentes, explicava o professor Donaldo Schüler a mim e a Gabriela Silva em uma sala estranhamente com poucos livros. E essenciais. A Gabe, como todos a chamam, gaucha, muito branca, com sua tatuagem do mapa do Brasil no pulso esquerdo, parece viver mais intensamente o sentimento de ser brasileira. Não por acaso, justamente aqui, em um estado de fronteira, onde estas questões relativas a identidade afloram a três por quatro. O dilema gaucho, de ser ou não brasileiro, mereceria um percurso. Mas não será desta vez.

27/agosto – Wladimir Ungaretti, muito prazer


Foto de Wladimir Ungaretti

Por conta de orientação para um Percurso sobre a Ilha do Presídio fomos conversar com Wladimir Ungaretti, anarquista, flaneur, uma pessoa chegada à deriva que entre outras coisas é professor de fotojornalismo. Ouvi com gosto falar da ousadia com que fazia as fotos que desejava fazer, das máquinas lomo, sua paixão, de motocicletas e scooters, da reserva que procura dar à sua vida, da breve passagem por Fortaleza há bons anos (esteve na então Escola Técnica, por conta de um encontro estudantil), do sonho de voltar a lugares onde já esteve. Ativista da informação, está sofrendo um processo que censura o seu Blog Ponto de Vista (Link aqui) Foi firme em não querer mediar um percurso, mas indo muito além sugeriu roteiros sobre teatro de resistência e escolas de samba, apontou nomes para mediadores, lugares para se conhecer e emprestou seu nome para contatos. Generosidade à flor da pele.
Na mochila, uma lomo russa de plástico e uma sólida analógica

26/agosto – Sociedade Floresta Aurora

Hoje- pensando nos pontos para um percurso sobre musicalidade afro-brasileira também fomos conhecer a Sociedade Floresta Aurora. Ainda não era o que precisávamos mas fica o registro, do qual destaco esta foto de hoje. Uma pequena explicação sobre esta organização pode ser encontrada aqui.

Compartilho também um texto bem bacana que também achei na rede. Chama-se Clubes sociais negros em Porto Alegre – RS : a análise do processo de recrutamento para a direção das associações Satélite, Prontidão e Floresta Aurora, trajetórias e a questão da identidade racial. O downlaod pode ser feito aqui.

26/agosto – Assunção, antigo bairro de pescadores

Hoje. Claudia Paim levou-nos para conhecer o bairro Assunção, que ocupa uma faixa bem estreita de uma encosta do Guaíba. Logo do lado fica uma avenida de trânsito relativamente rápido e do outro lado um condomínio elegante. As casas do bairro são todas erigidas na base da autoconstrução, com soluções criativas e gambiarras apontando de quando em vez. Esteticamente, muito encantador. O contraste com iates, com o contexto luxuoso da área impressiona. Fomos guiados por Zé, comerciante e presidente da associação, que conhecemos ali mesmo. Depois de duas descidas, quando já íamos embora conhecemos por um golpe de sorte ou sincronismo Neca, moradora dali, que fez um trabalho de história oral. Imediatamente, já convidei para mediar um Percurso. Depois de passarmos quase uma tarde pensando em possíveis percursos com aquela comunidade, em poucos minutos pude juntar os pedaços e pensar numa proposta de construção da história coletiva, visitas, pátios defronte ao mar.  Este percurso será inesquecível. Obrigado, Claúdia Paim. Posto AQUI um vídeo bem curto com a Neca falando sobre a história do bairro. 

25/agosto – Quilombo do Sopapo

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Planejando realizar um percurso urbano sobre musicalidade negra fomos conhecer o Quilombo do Sopapo. Sopapo é um tipo muito grande tambor e de música alegre, dançante, propícia a um bom carnaval. O coeltivo conseguiu o empréstimo de um sindicato uma excelente casa com terreno grande que estava abandonada há anos. Agora, é um ponto de cultura que realiza oficinas de vídeo, música, grafite, etc. Tenho que ir pra rua, por isso posto pouco sobre esta ação. quem estiver curioso pode porcurar informações no endereço http://quilombodosopapo.blogspot.com/