entre um dia e outro

2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADE

Arquivo de agosto, 2009

31/agosto – Coletivo Catarse

Material produzido pela Catarse

Material produzido pela Catarse


Hoje à noite fui conversar com Gustavo (ou Guga) Türck sobre o coletivo Catarse. Eles produzem muito em comunicação tanto escrita quanto audivisual. Sempre com um corte decidido, de provocar visões críticas e alterativas. Segundo o blog deles trata-se de “um coletivo de comunicadores comprometidos com a construção de alternativas que fortaleçam a cultura e o jornalismo independentes e enriqueçam o debate público em seus temas mais importantes. Através de um trabalho autoral e engajado, se aproxima de movimentos e organizações que entendem a cultura como um direito humano e a comunicação como uma ação transformadora.”

Reconheci os muitos intercâmbios que poderíamos realizar com este grupo seja na área de formação, produção ou exibição. O Gustavo está interessado em conhecer experiências como a da Casa Grande, em Nova Olinda e as dos Pontos de Corte e do jornalismo estudantil, em Fortaleza. Vejo que dialogaria com fluidez com várias pessoas de Fortaleza que atuam através do vídeo. AQUI, um vídeo sobre sua visão política. Por fim, Convidei Gustavo para realizar um percurso sobre vídeo-ativismo. Topou.

Imagem comemorativa dos quatro anos do coletivo.

Imagem comemorativa dos quatro anos do coletivo.

31/agosto – Associação Satélite Prontidão

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Quase meia-noite. O post será rápido, inversamente proporcional a importância da Associação Satéçite Prontidão que desde 1902 atua criando espaços para a cultura negra. Hoje pela manhã estive lá com a Gabe conversando com o presidente, seu Nilo Feijó e os assuntos foram da história à religiosidade passando pelo samba. Aprendi, por exemplo, que o mestre sala, uma espécie de guarda do estandarte é um guerreiro e sua dança influenciada pela capoeira.

Os clubes negros
Seu Nilo explicou que pelo fato da divisão étnica ser tão demarcada os negros tiveram que construir em Porto alegre todos os seus espaços, daí existirem em outros tempos 50 associações e clubes negros. A Associação Satélite Prontidão além de lugar de festa e música, se comprometia com a alfabetização e com o pecúlio; ainda hoje esta preocupação com a educação existe com a oferta de um curso pre-vestibular e um curso de informática. E o samba como carro-chefe. Agora, aos sábados samba-rock. A conversa foi longa, prazeirosa e posto AQUI um trecho deste privilégio que tivemos. Voltaremos a entrar em contato. Acho que ele será o mediador do nosso percurso sobre musicalidade afro-brasileira.

30/agosto – Domingo na estrada

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Uma cidade é grande quando você pensa que está começando a entendê-la, a se movimentar e ela se apresenta de um jeito novo, que lhe deixa tão desorientado quanto no primeiro dia que você a viu. Hoje, Porto Alegre me deu um giro que me levou a um momento de chegada. Gabe me levou para almoçar como quem vai na esquina e me levou pra zona sul, saindo sempre, passando pelo enorme e central Parque da Marinha, pelo bairro da Assunção, passando por Ipanema, chegando aos bairros bem mais distantes como Restinga, uma região bem popular onde vive um quinto da população, indo adiante até uma pequena reserva indígena, até zonas bem rurais do munícipio onde almoçamos e depois voltamos por bairros com praia de rio, também bem populares.

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Dá gosto as famílias, grupos de amigos levando lonas, cadeiras, carnes pra churrasco se abancando ao sol. Entre os jovens, o funk, as rodas alegres, os casais namorando. Também passamos por marinas, por bairros de ricos, com mansões tradicionais, em morros ou ao lado do rio, em ruas quase privativas, belissimas, que me fez pensar como é a distribuição de renda na cidade. Enfim, muito para um dia, muito mais para um post. Sigo pensando como incorporar um pouco deste domingo on the road que a Gabe me deu, com suas singularidades e as tipificidades, aos dezesseis percursos que realizaremos nesta cidade.

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29/agosto – Bem além dos circuitos de arte

Um dos riscos de se envolver com arte é começar a estetizar tudo. A cada passo ver trabalhos, motivos para serem formatados e remetidos ao circuito das artes. Volta e meia o cotidiano leva ao chão, negando a separação entre vida e arte. Posto algumas fotos que se remetem a uma situação de unidade.

um exerto de tempo justo

um exerto de tempo justo

nos bricks, as justaposições de sentidos

nos bricks, as justaposições de sentidos

Pátio comum no bairro de Assunção

pequeno pátio no bairro de Assunção

passeio com o pai

passeio com o pai

29/agosto – A casa-barco de Eduardo Navarro

a maquete, uma das fases do processo

a maquete, uma das fases do processo

O artista Eduardo Navarro vai construir uma casa-barco que à medida que navegue pelo Guaiba vá purificando-o tal qual uma estação de tratamento clandestina. Nas palavras dele: Mucho va a ir variando durante el proceso de creación ya que suelo trabajar utilizando todas las limitaciones que encuentro tanto temporales, económicas y espaciales. Busco crear los trabajos dejando en evidencia el trabajo manual en el sentido mas básico de la idea, (dejando ver la mano que lo creo, no me interesa la prolijidad sino en cambio la fragilidad de los recursos en este caso) Quiero que este proyecto no sea una proyección a larga distancia sino que en cambio sea una idea que nace desde adentro de POA y se mimetiza con la clandestinidad y la marginalidad de emprendimientos que evaden leyes, como por ejemplo el mercado que me comentastes que vende artículos ilegales, el camelodromo. Quiero que el trabajo actué como un emprendimiento clandestino y consecuentemente marginal. Al mismo tiempo todas estas condiciones no pretenden crear una denuncia sino en cambio crear una mímica a una realidad social utilizando una estructura preexistente,(la infraestructura con la que se materializa los emprendimientos ilegales), yo estoy interesado en trabajar con la fragilidad con la que estos emprendimientos nacen, funcionan, y mueren.

Imagem de referência utilizada pela curadoria

Imagem de referência utilizada pela curadoria

29/agosto – A cidade como playground

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Pensando na possibilidade de um percurso urbano sobre cultura de rua já havia ido à inauguração da Galeria Fita Tape e hoje retornei para conversar direitim com o Lucas Ribeiro, o Pexão, e Ana Ferraz. Thaís Aragão, fanzineira e motor cultural de Fortaleza, agora morando em Poá se juntou à uma conversa. A dupla vêm da experiência da Adesivo, outra galeria, de uma infinidades de ações que tiveram seu momento mais brilhante na concepção e curadoria da Transfer, uma mostra sobre relações entre culturas urbanas e arte.

Propondo um jogo
Entre os assuntos a fluidez do skate, a radicalidade do le parkour, a subjetivação do espaço criada pelo graffiti, a clareza de Michel de Certeau, enfim, a cidade praticada, viabilizada afetivamente. Um pouco desta conversa pode ser ouvida AQUI e AQUI. Propus como tema a Cidade como Playground, um tema que estamos desenvolvendo em Fortaleza, e por sintonia eles estão realizando uma oficina com um nome quase igual. Toparam para novembro e iremos conversando por e-mail, chegando ao formato do roteiro. Os conteúdos do Lucas sobre as relações entre culturas lúdicas de rua e arte, industria, entretenimento certamente serão um bom material para os participantes desse percurso. Informações sobre sobre Lucas e Ana podem ser encontradas no site da Noz.Art, um estúdio criativo dos dois.

Lucas, Ana e Thaís

Lucas, Ana e Thaís

Uma das três salas da galeria

Uma das três salas da galeria

28/agosto – Mostra Biografias Coletivas

Desenho para instalação Círculo de Fogo, realizada em 2007
Projeto de Círculo de Fogo, de Juan Downey, realizado em 2007.

Abolindo as fronteiras entre histórias individuais e histórias coletivas e sociais, esta mostra é particularmente interessante para criar interfaces da Bienal com os Percursos Urbanos. É o momento de conhecer as propostas de Abraham Cruzvillegas, Juan downey, Daniel Buetti, Jordi Colomerm, Pablo Rivera, Pedro Reyes, da dupla Hoffman’s House e pensar se há a possibilidade de algum cruzamento com texto da cidade. Ouça AQUI Camilo Yañez, que além de curador-geral é curador desta mostra espécifica, discorrendo sobre sua proposta.

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