entre um dia e outro
2009 E 2010: ARQUIVO DE RESIDÊNCIAS . 2011 e 2012: PROJETO ESCUTA NÔMADEArquivo de Rosário
26/setembro – Por el puente de libros: otro recorrido urbano

Chá e refri acompanharam uma animada conversa
No comecinho da tarde começamos o segundo percurso urbano em Rosário sendo recebidos na Biblioteca Alfonsina Storni. Ao dar a partida formal no percurso as conversas já estavam bem aquecidas. Por Marcela Romer soubemos da importância do trabalho voluntário, da militância cotidiana ali. São pessoas que chegaram por meio de vínculos afetivos ou familiares. Algumas vezes as bibliotecas são antigas, com um conselho decisório de pessoas mais velhas que entram em conflito com as pessoas mais novas (mais profissionais ou com mais estudos frequentemente) que vão se aproximando e querem influir nestes grupos que reagem com se estivessem em bunkers. Também falou Cristián Digirilamo, o responsável pelas ações da espaçosa galeria da biblioteca que falou de uma pauta cada vez dinâmica de exposições. Além das coletivas, já fizeram mostras com pessoas de Córdoba, Rosário, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Para o fim do ano está previsto um artista de Caracas. Uma hora depois, despedimo-nos do pessoal da Biblioteca Alfonsina que não pôde ir conosco pois tinham atividades com leitores e fomos em direção a uma segunda biblioteca.

Chegando à Biblioteca Popular Gastón Gori

A sala principal da Biblioteca Gori
Sílvia Quiroga, a professora de arte que inspirou este percurso, foi a primeira a puxar conversa na Biblioteca Gastón Gori. Uma das participantes do comissão gestora da biblioteca se colocou bem disponível para responder e comentar muitos aspectos daquela organziação. Orçamento, relações com Estado para conseguir subsídios: o desafio mais árduo. As rubricas super-definidas, sempre previamente dirigidas, impedem o uso racional das verbas. Vários jovens que estavam ali para realizar oficinas de arte mostraram-se muito interessados em entender a nossa proposta da residência e dos percursos urbanos.

Um dos momentos de apresentação da forma de trabalho da Gori
Também aqui o pessoal da biblioteca não poderia subir no ônibus e ir conosco conhecer as outras bibliotecas por conta das atividades. Será que estava pouco interessados? A impressão se dissolvia com um pouco mais de conversa. Diziam-nos que gostariam de fazer alguma atividades juntos, sim. Que articulássemos pois em outro momento estariam disponíveis.
Assim, propusemos uma exposição de fotografia e textos construidos por usuários das bibliotecas visitadas por este percurso. Toparam e ficamos de retornar o contato. Os caminhos não planejados tem sabor próprio. Com estes acertos na cabeça nos dirigimos à próxima biblioteca.

produtos das oficinas decoram La Cachilo
Entramos por La Cachilo e subitamente fomos transportados para um país de beleza e fantasia. Ali pudemos ver o carrinho de livros, a bolsa-estante que ganha as ruas do bairro aos sábados e a fascinante proposta dos sussurradores de contos. Trata-se de da reutilização destes tubos de papelão dos rolos de tecidos para que educadores, crianças contem histórias baixinho, em clima de segredo e intimidade. A proposta foi copiada (E neste despojamento, nesta falta de compromisso com o ineditismo só vejo mérito) de uma inciativa da espanha que viram na Colombia.

Um dos tubos para sussurar contos

Andando e conversando, fomos aprendendo mais e mais sobre La Cachilo

na parede fotos do mutirão
Este verdadeiro palácio encantado da leitura foi cosntruído aos pocuos, pelos próprios moradores. Pedaço por pedaço, sem projeto arquitetônico, a biblioteca foi se armando. Conseguiram depois, durante algum tempo, vários apoios importantes como Instituto C&A e ao que parece a Fundação Avina. Nesta mesma semana haviam ganho um importante prêmio que além dos reconhecimento lhe dariam mais um pouco de recursos para seguir adiante nesta construção sem fim, que mais se parece um tapete mágico voador de onde brotam praças e fontes.
Com a delegação que nos havia sido feito pelas outras duas bibliotecas discutimos junto com o pessoal da La Cachilo uma proposta de uma exposição de fotografias e textos realizados pelos leitores. E assim ficou acertado que estas bibliotecas se juntariam para fazer isso e que provavelmente a mostra poderia acontecer na Galeria da Biblioteca Alfonsina. Por sua vez, a Mediação de Saberes faria a articulação para receber esta mostra em algum espaço de Fortaleza e enviar fotos realizadas a partir do trabalho de organizações locais, como Biblitoeca Gaivota, Serviluz Sem Fronteiras, Clica Maravilha. Com este sonho armado tiramos fotos de despedidas e fomos para casa.

A tradicional foto do grupo para registro
Ponto final, a Biblioteca Anarquista, como é conhecida a Biblioteca e Arquivo Histórico Social Alberto Ghiraldo, onde chegamos tarde para uma sessão de vídeo que havia começado; Nesta biblioteca é admirável o fato de ser antiga, fundada na década de 40, e que agora os jovens (muitos me pareceram punks) estão dando continuidade aos trabalhos e leituras. São 14.000 livros sobre anarquismo que conseguiram salvar da queima promovida pela ditadura transportando para residências e com sorte.
Não valia a pena ficar para o debate pois não havíamos assistido o filme. Mas deu tempo trocar endereços e nos comprometermos a fazer a apresentação de um grupo de Fortaleza a eles. Assim, com esta perspectiva de mais encontros Fortaleza-Rosário terminamos o percurso Por El Puente de Libros.

Nós e alguns usuários da Biblioteca ficamos na calçada, para não atrapalhar a exibição de vídeo

Fim do dia: Mauro Machado revendo amigos e fazendo mais articulações Fortaleza-Rosário
SEGUNDO PERCURSO EM ROSÁRIO
Esta tarde acontece o segundo percurso em Rosário, desta vez por bibliotecas populares, para promover uma articulação de leitores de diferentes bairros desta cidade que sofre de vários apartheids. Hoje à noite postarei um relato.
24/setembro – Deriva pela Cidade-oráculo:740/140
(Para quem não sabe o que é o Jogo da Cidade-oráculo, veja uma apresentação AQUI)
Claudia Paim de Porto Alegre enviou-me os números 740/1400. Isso dá na Corrientes perto da Avenida Córdoba. eu fui até lá e no lugar onde deveria estar o 740 encontro uma construção e fotografo as placas que publicizam uma obra do Departamento de Humanidades de uma universidade federal. Claudia Paim recebeu recentemente a titulação de doutora e acredito que sua consulta dizia respeito a vida profissional. Sincronicidades. (As fotografias com 12 megapixels serão enviadas aos consultantes assim que uma conexão mais veloz permitir).




24/setembro – Deriva pela Cidade-oráculo: 666/999
(Para quem não sabe o que é o Jogo da Cidade-oráculo, veja uma apresentação AQUI)
Foi Júlia Manta que enviou este número tão carregado de significados. Saí do estudio de tattoo e fui procurar esta numeração. Foi engraçado porque eu me postei em uma esquina e fotografei tudo conforme as regras deste jogo (e que estão em postagem anterior). Antes de sair resolvi puxar conversa com um senhor que preparava amendoim caramelizado. Conversa muito agrádavel. sobre o seu negócio, sobre o lguar odne nasceu e soubre uma memorável viagem de térmionod e curso que fez com 100 colegas a Santos e ao rio de Janeiro. Uma lembrança para toda sua vida, em 60 pelo que entendi, pois Brasília (onde fez escala), segundo ele ainda estava sendo construída. Ao final da conversa, apresentando para ele o jogo em uma folha de papel com as coordenadas e os nomes das ruas que faziam estes cruzamentos, descobri que justamente nesta esquina havia errado, que o número “malo” era mais abaixo. Assim, eis as fotos corretas. Trata-se de um prédio abandonado em uma área com muitos bancos. O que achei mais significativo além do ar decadente foi o relógio sem ponteiros.



Abaixo algumas fotos das esquinas para onde me dirigi erroneamente e do senhor com quem conversei bastante até descobrir que estava no lugar errado. Posto porque me pareceram muito interessantes.
O nome do vendedor infelizmente me fugiu da memória.

Restaurantes e cachorros na rua, bem típicos.

Sempre com alguma promoção

Do prédio do Banco da Nação sobrou o portal

Noutra esquina um homem conta, conta, conta dinheiro

No centro do cruzamento, um quadrado adesivado no chão de uma apresentação artística na notie anterior

Fui perguntar porque aquele quadrado no centro e ganhei um rosto amigável na cidade
24/setembro – Deriva pela Cidade-oráculo: 600/600
(Para quem não sabe o que é o Jogo da Cidade-oráculo, veja uma apresentação AQUI)
Valdir Alves de Fortaleza enviou as coordenadas 600/600 para consulta e eu não pude atender pois não existe tal numeração. Mas… seguem as fotos de um beco sem saída (muito agradável, por sinal) onde a numeração se interrompe quase chegando na numeração desejada. Além do mais, a última sinalização para carros tem um grafite bom pra caramba.


Por conta destas coordenadas eu conheci um estúdio de tatuagem. Bati na porta atraído por um anúncio de que se fazia fileteado (o grafismo portenho) e acabei conhecendo Nacho (de Ignacio) que fez uma pausa enorme num trabalho, encomendou café e se pôs a contar a história de Rosario, de suas origens, das pestes, de suas putas e máfias, entre tantas coisas. O lugar se chama Skorpion por conta de uisqueria-bordel que funcioanva ali. Quando tiver mais tempo, espero postar sobre este encontro. Certamente, Valdir, o consulente que me fez andar por estas imediaçãoes, gostaria de ouvir todo este conteúdo. Espero que se sinta estimulado a ir a Rosário e visitar este estúdio.


24/setembro – Deriva pela Cidade-oráculo: 700/700
(Para quem não sabe o que é o Jogo da Cidade-oráculo, veja uma apresentação AQUI)
Quando olhei pela primeira vez as coordenadas que Grabriela Silva de Porto Alegre havia enviado observei que ela tinha seleiconaddo nada menos que o ponto mais central da cidade, onde estão os monumentos cívicos mais importantes e onde está a sede da Prefeitura. do lado tem uma pracinha, onde fotografei uma mulher passeando com um cão ao lado de um grafiite político (O das bicicletas). Fui conversar com um pessoal que está acampando em frente à municipalidade, como forma de protesto contra uma desocupação de sua favela. Também, depois de conversar bastante, fotografei cartazes de um grupo que recolhia assinaturas contra maus tratos dos cavalos e gravei depoimentos. Fiquei contente por este jogo haver me permitido tais diálogos. Assim que tiver tempo vou abrir post específicos para falar destes dois grupos que conheci.




24/setembro – Deriva pela Cidade-oráculo: 1000/500
(Para quem não sabe o que é o Jogo da Cidade-oráculo, veja uma apresentação AQUI)
Há umas duas emanas começamos o jogo da cidade-oráculo pelo qual o interessado pensava em uma questão que gostaria de ter uma resposta do acaso para instigar sua mente, dava-nos algumas coordenadas e eu iria até os pontos correspondentes em Rosário para fotografar e devolver ao consultante. (Melhores explicações em psotagens anteriores). Hoje, depois do percalço de uma máquina roubada e falta de tempo, assumi o papel de médium deste jogo e fui procurar as fotos e ver simultanemente o que a cidade me oferecia de brinde. Em casa fiz um roteiro e a primeira localização foi a enviada por Alex Simões: 1000 por 500, que equivale a esquina da rua 1 de Mayo e San Juan. Abaixo as imagens desta consulta:



23/setembro – Águas como espaço urbano

Umas das guarderias de caiques em Rosário
Uma grande diferença entre Rosário e Fortaleza é o uso democratizado das águas para esportes náuticos. Em Fortaleza o uso do mar pela população em geral fica restrito às praias e ao surf. Uns poucos privilegiados praticam windsurf ou velejam. O problema maior não é o preço de um caiaque ou o mar revolto. Os preços são bem razoáveis, temos até uma industria de fibra de vidro que poderia baratear ainda mais. E a enseada do Mucuripe até a Praia de iracema se caracteriza pela placidez de suas águas. A questão principal é a falta de guarderias que tornasse cômodo a descida dos barcos para água. Em Rosário isto está muito bem resolvido. São várias guarderias em diferentes praias do rio Paraná. Um cliente paga por volta de 40 pesos mensais (20 e poucos reais) pela guarda. Esta da foto abriga aproximadamente 600 caiaques e canoas canadenses. Funciona dentro de uma área da muncipalidade que fez uma concessão para que o negócio funcionasse. Não é bonito, mas representa o acesso de milhares de pessoas ao território das águas. Resolvido isso seria o momento de campeonatos, gincanas que disseminariam tais esportes. Alguém já deve ter pensando nisso e isso está em vias de acontecer. Se alguém tiver alguma informação, poste no coemtnário, por favor.
21/setembro – Sobre uma adesivagem de Rosário

Adesivagem em tapume de obras
Tenho visto muitos grafites pelas ruas e é sempre agradável lê-los. Via de regra me identifico com os conteúdos, com as palavras de ordens, com os mundos entrevistos. Deveria ter fotografado mais para poder configurar melhor os fluxos de sentimentos e vontades que atravessam esta cidade. Talvez ainda haja tempo para fazer isso. Mas gostaria de apresentar uma destas pequenas mensagens que me atingiu com seu silêncio. Trata-se da adesivagem destas cadeiras em círculo cuja foto postei acima. Talvez eu tenha valorizado ainda mais por estarem nos tapumes de obras nos quais eu pressinto grandes conflitos e submissões, onde as negociações tendem a ser assimétricas. Acima de tudo, pela opção de não usar a retórica. E pela força da ausência.
Invitación para los Recorridos Urbanos: Por el puente de los libros.

Biblioteca Alfonsina será o ponto de saída
CONVITE PARA O PRÓXIMO PERCURSO URBANO EM ROSÁRIO
El gusto por la lectura y la creencia en su potencial de transformación social hizo nacer bibliotecas populares en Rosario. En la tarde del próximo sábado, abordo de uno autobús, realizaremos visitas para conocer algunos de estos espacios y propiciaremos un encuentro con los directores, educadores y lectores. Tal encuentro de amigos de los libros tiene como objetivo principal imaginar y proponer interacciones entre lectores de diferentes barrios de la ciudad.
Nuevos amigos son bienvenidos.
Punto de Encuentro: Biblioteca Alfonsina Storni, Ovidio Lagos 367
Día y hora: sábado 26/09/2009 a las 14,30 hs (duración del recorrido 4 horas)
Inscripciones | por e-mail a lirajulio@gmail.com o telefónicamente al 156 178 195 hasta el viernes 24/09/2009 |La participación en el recorrido es gratuita, sólo se requiere inscripción previa)
Esta actividad es propuesta por el artista Júlio Lira en el marco de “Redesearte paz”. Desarrollo de Laboratorios en Red de produccion artística en contextos sociales. http://redeseartepaz.org/









