(Texto: Júlio Lira / Fotografias: Saymon e Mônica Batista)
Momento de compartilhar quatro dias bem especiais passados em Juazeiro do Norte para difundir o gosto e a possibilidade das pequenas intervenções no cotidiano urbano dentro da programação do Cenro Cultural Banco do Nordeste. Os participantes da oficina foram um pouco mais de 10 pessoas, entre os quais duas meninas e dois meninos, que frequentam o Centro Cultural há vários anos. Duas universitárias de história, duas de geografia, um estudante de comunicação. Uma professora de ensino fundamental e um professor universitário completavam o time. Junto comigo, na mediação da oficina, Thiago Coutinho que cuidará dos Percursos Urbanos no Cariri. Essa mistura de pessoas, de origens deu um caldo muito fértil.
Partindo de experências anteriores - Iniciamos a oficina falando das contribuições de Duchamp e de Joseph Beuys para o campo da arte. Do primeiro ressaltamos a importância do processo de pensar, da relativização da manufatura e do artesanato dentro do processo criativo. Do segundo enfatizamos a incoporação do “nós”, da articulação coletiva em função de uma reconstrução política do mundo. Daí trabalhos também o conceito de ‘Negociação’ como intrumento fundamental neste tipo de trabalho. Esses conteúdos deram a deixa para apresentar exemplos de práticas estéticas de intervenção. Utilizamos como exemplos a própria Universidade Livre Internacional, de Beuys; a Cozinha Nômade, de Mick O’Kelly; as redes de comunicação de Antonio Abad; a proposta Estante Pública; os ID Barrios; a sala para descanso das prostitutas de Viviana Bravos. Dos trabalhos desenvolvidos por nós na Mediacão nos estendemos apresentando os Narrativas em Volta do Fogo, os Percursos urbanos, os Gestos pelas Cidades.
Desenho como croqui – Assim, com exemplos de iniciativas ficava mais fácil explicar a noção de que o desenho a que nos referíamos não era um produto a ser contemplado ou exposto numa galeria ou guardado num caderno. Mas é o desenho que é esboço, que é plano, croqui, rascunho para algo que queremos fazer acontecer. Passamos logo ao lápis e ao papel, para não ficar monótono, solicitando que as pessoas divididas em duplas ou trios bolassem alguma proposta. Os pensamentos surgiam e íamos discutindo, dialogando. No final da tarde do primeiro dia os desenhos foram apresentados e discutidos pelo grupo.
Escrever projeto não! Ação! No segundo dia discutimos o que fazer: aprender a fazer um projeto para conseguir um financiamento ou realziar uma ação pequena a partir das propsotas levantadas? Todos escolheram realizar algo imediatamente. A partir daí o curso virou uma agência de operações. Coletivamente escolhemos os trabalhos mais simples e viáveis de serem realizados. Decidimos que sera um evento na Praça Pe. Cícero, na sexta, das 17 às 19 horas, horário que gerou o nome da iniciativa NA HORA DAS MURIÇOCAS (NÃO FIQUE PARADO). De fora, por exigir mais preparação ficou o projeto Tamboretes de Forró, que propõe uma metodologia de conversas para grupos de idosos.
Na sexta-feira o Manuel , produtor do CCBNB já havia conseguido autorização municipal e rede elétrica. E nos mudamos para a praça com nossas tranqueiras. Em meia hora, já havíamos construído um novo cenário no cotidiano da cidade. Seguem algumas fotos das atividades desenvolvidas.

Crianças sem teto se juntaram ao movimento, pintando o letreiro do evento. As palavras, com uma fonte especail, haviam sido pre-desenhadas pelo artista Saymon (foto do mesmo).

Os adolescentes resolveram colocar a disposição dos frequentadores da praça uma pequena coleção de cordéis. Entre os títulos clássicos como 'A chegada de Lampião no Céu', 'A história do bode Ioiô e o seu encontro e amizade com Orson Welles'; 'Ana Paula, a jovem que se rifou para ir morar em São Paulo'. Um ccordel que sempre gerava risos era o escatológico 'O valor que o peido tem'. (Foto: Mônica Batista).

A idéia do karaokê de poesia mostrou-se bem viável. Além do microfone aberto, que foi ocupado por pessoas interessadas em apresentar seus poemas, o público podia participar lendo poemas sorteados.

Albuns de Família: pessoas da cidade foram convidadas para apresentar suas fotografias. Era saindo uma e entrando outro, todos muitos generosos em compartilhar suas relíquias e memórias.

Que não trouxe fotografia no papel, trouxe num pen drive e a conversa continuou forte. Até crianca ouvia hipnotizada a memória do envenenamento de Floro Bartolomeu e da escaramuça entre a Coluna Prestes e o bando de Lampião.

A proposta inicial de oficinas em praça pública foi simplifcada com uma apresentação de um forno solar. Era distribuída uma folha com um plano de construção de um forno solar e as pessoas eram convidadas a ver um modelo. Era muito bacana ver as famílias, atentas, interessadas, da mesma forma que fariam com um objeto de alta tecnologia.

O quiosque de papelão onde havia um trabalho audiovisual do Thiago Coutinho teve que suportar uma fila de espectadores

Do lado de dentro do quiosque uma sessão de fotografias do conturbado centro de Juazeiro. No contraste, uma trilha sonora deslocada de sons da natureza mixados com melodias também dissonantes das imagens.



















Um experiência formidável de arte pública relacional que gera sentido de lugar praticado e de construção de valores de cidadania.